I See The World - Old I See The World - Dead
Victims Of War, Seeking Some Salvation Last Wish, Fatality I’ve No Land, I'm From Nowhere Ashes To Ashes, Dust To Dust
Arise – Sepultura
Domingo, dez horas da manhã. Enquanto lá embaixo, (moro no 11º. andar) inicia-se a missa com a congregação cantando músicas suaves e bem entoadas, coloco na vitrola (cd player) uma bolacha (vinil/cd) do Sepultura. O álbum é Arise (1991), um dos melhores da banda.
Abro a gaveta da vitrola, coloco a bolacha e aperto o botão de recuo. Espero carregar, ainda ouvindo os sons celestiais da missa. Play!!! Domingo frio e cinzento. Estou sozinho em casa. Ahhh, volume no máximo.
“Obscured By The Sun, Apocalyptic Clash, Cities Fall In Ruin, Why Must We Die?”
As caixas com alto-falantes de 10’ tremem sob o imperativo peso dos instrumentos. O ambiente é tomado pelo som, os quadros se mexem, objetos sobre a mesa começam a se arrastar, a onda sonora contamina tudo. (Minha árvore de Natal quase cai).
“Confused Leaders Behind Our Backs, Stifling Our Ideas, Misunderstand Signs Of Progress, Minds Of Time Regress, Searching For An Answer, To Understand Myself”.
Um momento permitido para transgressões de comportamento em meio a regras de condomínio e de religião. Apesar de que as letras do Sepultura são mais políticas do que qualquer outra coisa. E em muitos momentos, fica evidente a consciência política, não só nacional, como internacional.
Quando ainda no começo de carreira, sem ao menos saberem do estrondo que fariam no mundo da música, eu pude acompanhar muitos ensaios do Sepultura. Nesta época, eu tinha uma pequena e péssima banda de Heavy e ficávamos entre os ensaios do Overdose e do Sepultura. Eu acreditava que o Overdose faria o maior sucesso e que o Sepultura estaria fadado ao fracasso. Ainda bem que eu estava errado, como a minha banda.
Boas lembranças. Acreditem ou não, eu fugia de casa, às vezes pulava a varanda da sacada do meu quarto apenas para acompanhar os ensaios das duas bandas. Época boa, não volta mais, como muitas outras coisas...

Escrito por Alexandre Miranda de Souza às 12h34
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