Hey mãe!
Eu tenho uma guitarra elétrica
Durante muito tempo isso foi tudo que eu queria ter

Mas, hey mãe!
Alguma coisa ficou pra trás
Antigamente eu sabia exatamente o que fazer

Engenheiros do Hawaii – Terra de Gigantes

 

Frio em Novembro? 15 Co à noite e 21 Co durante o dia? Resolvi sair de casa. Ando 1.432 passos até chegar ao Minas Shopping, mais precisamente à Leitura, como gostam de dizer os funcionários, Mega Store.

Ando meio “off”, fui comprar placas de isopor para fazer um grande mural de fotografias. Solidão, isso mesmo. Pedi a moça que me atendeu com muita educação, que me mostrasse o tamanho da placa de isopor que tinha na loja. Solícita, mostrou-me e perguntou para quê? Sabendo o motivo e que eu levaria duas, perguntou, “não vai ficar grande não?”. Mas a intenção é exatamente essa!

Voltei pra casa. Não contei os passos, seria o cúmulo da neurose. Mas sozinho no meu apartamento, coloquei na vitrola o cd acústico da banda (MTV) Engenheiros. É saudade mesmo. Fui até a cozinha e requentei o café que havia feito pela manhã. De praxe esqueci no fogo. Ferveu, lógico. Tomei, queimei a língua e ainda comi de almoço, biscoito maizena da Aymoré. É isso mesmo...

Sentei no chão da sala, onde havia um lindo tapete, mas por não ser auto limpante, está guardado, junto com outros da mesma espécie. Espalhei as fotos que tenho e fui selecionando as que representariam minha vida em blocos. Adolescência, época de solteiro, viagens de moto, passeios, Exército, filhos, etc. Deixei um espaço para os eventos interessantes que participei. Um espaço para a minha coleção de fotos das minhas ex-motos, um espaço para os meus ex-cachorros de estimação, que jazem no céu e um espaço em branco mesmo.

Tudo pronto. Há emoção em cada pedacinho do painel. Há história ali. Afastei-me para vislumbrá-lo de longe. Não resisti, chorei diante da minha vida exposta, altar singelo e sagrado, dobre os joelhos diante dele...



Escrito por Alexandre Miranda de Souza às 14h58
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I See The World - Old
I See The World - Dead

Victims Of War, Seeking Some Salvation
Last Wish, Fatality
I’ve No Land, I'm From Nowhere
Ashes To Ashes, Dust To Dust

Arise – Sepultura

 

            Domingo, dez horas da manhã. Enquanto lá embaixo, (moro no 11º. andar) inicia-se a missa com a congregação cantando músicas suaves e bem entoadas, coloco na vitrola (cd player) uma bolacha (vinil/cd) do Sepultura. O álbum é Arise (1991), um dos melhores da banda.

            Abro a gaveta da vitrola, coloco a bolacha e aperto o botão de recuo. Espero carregar, ainda ouvindo os sons celestiais da missa. Play!!! Domingo frio e cinzento. Estou sozinho em casa. Ahhh, volume no máximo.

            “Obscured By The Sun, Apocalyptic Clash, Cities Fall In Ruin, Why Must We Die?”

            As caixas com alto-falantes de 10’ tremem sob o imperativo peso dos instrumentos. O ambiente é tomado pelo som, os quadros se mexem, objetos sobre a mesa começam a se arrastar, a onda sonora contamina tudo. (Minha árvore de Natal quase cai).

“Confused Leaders Behind Our Backs, Stifling Our Ideas, Misunderstand Signs Of Progress, Minds Of Time Regress, Searching For An Answer, To Understand Myself”.

Um momento permitido para transgressões de comportamento em meio a regras de condomínio e de religião. Apesar de que as letras do Sepultura são mais políticas do que qualquer outra coisa. E em muitos momentos, fica evidente a consciência política, não só nacional, como internacional.

Quando ainda no começo de carreira, sem ao menos saberem do estrondo que fariam no mundo da música, eu pude acompanhar muitos ensaios do Sepultura. Nesta época, eu tinha uma pequena e péssima banda de Heavy e ficávamos entre os ensaios do Overdose e do Sepultura. Eu acreditava que o Overdose faria o maior sucesso e que o Sepultura estaria fadado ao fracasso. Ainda bem que eu estava errado, como a minha banda.

Boas lembranças. Acreditem ou não, eu fugia de casa, às vezes pulava a varanda da sacada do meu quarto apenas para acompanhar os ensaios das duas bandas. Época boa, não volta mais, como muitas outras coisas...

 



Escrito por Alexandre Miranda de Souza às 12h34
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