Contra qualquer forma de discriminação
“promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”.
(inciso IV, do artigo 3º, da Constituição Federal)
Digo que entre a hipocrisia e o “politicamente correto” há apenas uma tênue linha que pode se romper sem mesmo que o seu praticante perceba. E nesse momento, perde-se a compostura, outra forja da sociedade, para que possamos viver socialmente.
Mas espere apenas um momento, todos nós vivemos na fronteira destas práticas e por muitas vezes, essa linha que nos separa da hipocrisia se rompe, é verdade, mas o esforço de superação, deve ser efetivado e não o contrário.
Tenho percebido que muitas pessoas têm sentindo orgulho em assumir seu preconceito, sua discriminação, como forma de auto-afirmação social. Contudo, se esquecem de que, se há uma forja social, uma criação dogmática para que possamos viver socialmente, essa deve ser preservada e praticada, justamente pelo seu cumprimento e pelo dever de vencermos exatamente a hipocrisia que se estabelece. Dizer que se tem discriminação pelo outro (diferente) e de certa forma se orgulhar de sua postura é muito diferente de se ter consciência de seu preconceito e lutar para vencê-lo, encarando o outro (diferente) como um ser humano igual em todos os sentidos.
Há uma comunidade no Orkut (Chega de preconceito) que luta pela justiça e pela igualdade de todos. Nela há uma denúncia de preconceito que se encaixa no que escrevi acima. Entre a hipocrisia e o “politicamente correto” há apenas uma tênue linha. Abaixo irei transcrever a fala da Deputada Juíza Denise Frossard, candidata ao cargo de Governadora do Rio de Janeiro e relatora do projeto sub examen, que pretende dar nova redação ao artigo 1º, da lei nº 7.716/1989, que define os crimes resultantes de preconceito e discriminação. A juíza votou pela rejeição do projeto de lei nº 5.448 de 2001. Leia abaixo:
A repulsa à doença é instintiva no ser humano. Poucas pessoas sentem prazer em apertar a mão de uma pessoa portadora de lepra ou de AIDS. Algumas dessas poucas pessoas fazem-no sinceramente, outras, hipocritamente. De um modo geral, as pessoas não se sentem confortáveis na companhia de pessoas doentes, ainda mais, quando se trata de doença letal ou deformadora. A discriminação é válida quando se trata de doença contagiosa ou de epidemia que coloca em risco a vida e a saúde da comunidade. A deformidade física fere o senso estético do ser humano. A exposição em público de chagas e aleijões produz asco no espírito dos outros, uma rejeição natural ao que é disforme e repugnante, ainda que o suporte seja uma criatura humana. Portadores de doenças e deformidades costumam freqüentar locais públicos exibindo as partes afetadas do corpo, não só com o intuito de provocar comiseração, como também, com o propósito de afrontar a sensibilidade dos outros para o que é normal, saudável e simétrico.
Pensem bem, ninguém é obrigado a concordar com nada, mas temos o dever social e democrático de respeitar o outro. Ora, se você está investido de um poder dado pelo voto direto da população, e neste cargo, você deve defender as minorias, então, esse tipo de discurso apresentado pela deputada, é desrespeitoso e fere o próprio projeto de lei. Não é à toa que ela é contra, quer a permissão para continuar a divulgar e disseminar seu preconceito.
Ps.: Preste bem atenção na frase final do parágrafo escrito pela deputada: “afrontar a sensibilidade dos outros para o que é normal, saudável e simétrico”.
Escrito por Alexandre Miranda de Souza às 11h26
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