Minha saudade não está mais cabendo em mim...

 

Resolvi usar os bolsos para guardá-la

Coloquei um pouco nos da minha calça

Nos da blusa

E na última tentativa de contê-la,

Usei os da minha jaqueta jeans...

 

Os bolsos acabaram.

 

Não estou me contendo de saudades...



Escrito por Alexandre Miranda de Souza às 14h46
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Eu sou porta e janela,

ora aberta, ora fechada...

mas na maior parte do tempo,

apenas entreaberta...

porque aprendi a me calar quando se faz necessário...

 

o amor também floresce do silêncio...



Escrito por Alexandre Miranda de Souza às 12h46
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Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força -- que vem do aprendizado.

(Flora Figueiredo/Lya Luft)

 

 

As lembranças parecem fugir da minha mente, tento impedi-las... não consigo. Alguém me diz complacente: “Fique frio garoto”... “Quero viver a vida, porque ela não vai me viver” retruco com veemência...

 

Mas ainda posso pegar seu rosto com minhas mãos e beijar seus lábios em meus pensamentos. Essas lembranças permanecem intocadas, frescas como se ocorressem agora... Isso eu guardo com muito carinho, não sofrimento...

 

Vejo muito de mim em você, como vejo muito de você em mim...

 

Fusão silenciosa transmitida pelo olhar, pelo toque do corpo, dos lábios e dos pensamentos.

 

Leio seus olhos, seu sorriso, suas marcas de expressão, seus gestos intricados mas gentis...

 

Se em mim te vejo, como em você vejo a mim, posso confundir o eu com o tu e essa confusa confusão, pode te intimidar... Mas não se preocupe mocinha, não ofereço perigo...

 

Vinícius de Moraes dizia:

 

“E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê”.



Escrito por Alexandre Miranda de Souza às 19h30
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“Eu hoje acordei tão só
Mais só do que eu merecia
Eu acho que será pra sempre
Mas sempre não é todo dia”

(O.M.)

 

 

Eu hoje acordei tão só,

Solidão de um silêncio desmedido,

Pedaço vazio que não se encaixa,

Olhar perdido ao vento como se fosse pó...

 

Olhei meu rosto no espelho

Não enxerguei palavra

Não ouvi letra

Esqueci-me na mudez do teu olhar...

 

Uma vez falei-te na praça

Que árvore eu quero ser

Ficamos a olhar para as copas

Como dois galhos presos pelo mesmo amor...

 

Enquanto lágrimas você se fez

Abraço quis ser

Com as pontas dos dedos toquei o lume em teu rosto

Brilho d’água mirada em lua ensolarada...

 

O frio cortava nossos corpos

E num impulso o teu abraçou o meu

O calor do beijo se fez instante

E o frio distante...

 

E era então partida

Para aquilo não havia saída

Não houve impulso além do abraço

Apenas o olhar a ver-se na distância do outro que se queria...



Escrito por Alexandre Miranda de Souza às 23h30
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“por vezes,

a língua do gago

é mais eloqüente

do que a língua

da eloqüência”

 

Certa vez, conheci um homem da região espanhola de Andaluzia, que se tornou um grande amigo e que, depois de seu retorno, ainda assim que distantes, continuamos a nos comunicar através da Internet. Seu nome Alied Said Rahman, muçulmano de religião e filosofia, de grande inteligência, capaz de expressar-se em diversas formas seus mais profundos pensamentos dialéticos, controversos, fúteis ou profundos.

 

Lembrei-me hoje dele, sentando num boteco, tomando uma cerveja solitária. Sempre depois de uma boa discussão, olhava para todos os amigos e com um sotaque carregado dizia: "por vezes, a língua do gago é mais eloqüente do que a língua da eloqüência."

 

***

 

“Ah! eu quero te dizer que o instante de te ver
Custou tanto penar, não vou me arrepender
Só vim te convencer
Que eu vim pra não morrer
De tanto te esperar”

(Oswaldo Montenegro)

 

 

E então eu tive medo... Muito medo... “De repente, não mais que de repente” eu te vi partindo de mim. Ponto de vista único e próprio, daquele que somente os amantes conseguem ver. Remessa sem destinatário, entrega sem programação, sem aviso e sem licença.

 

Mas de repente, do pranto se fez o riso, do espanto, mãos espalmadas, do pressentimento, paixão intensa, do drama, momento imóvel, de errante, uma vida...

 

Novamente a porta se abriu como se abriu daquela vez. O coração disparou como disparou daquela vez. Menos o olhar, teimoso, desviou do seu alvo, não como daquela vez. Mas do abraço se fez carinho. Do carinho se fez beijo. Do beijo se fez tensão. Da tensão se fez desordem. Da desordem, desatino. Do desatino, descanso. Do descanso, o verbo gostar. Eu gosto, nós gostamos... “De repente, não mais que de repente”, não há mais saída... redemoinho repentino... basta fechar os olhos e sentir...



Escrito por Alexandre Miranda de Souza às 18h31
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A cada partida sua, meu coração recita tal poema:

 

SONETO DE SEPARAÇÃO

Vinícius de Morais

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.



Escrito por Alexandre Miranda de Souza às 18h30
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De algum jeito vai passar

 

Hoje, a tarde estava calma, mas como visita inesperada, dor ou solidão, o céu fechou com nuvens escuras, o sol se escondeu como se medo tivesse e uma tempestade desabou sobre nós. Pedras de gelo repicavam no vidro da janela e eu fiquei pensando quanto tempo mais ela iria agüentar aquela tormenta?

Lembrei-me de corações, de contradições...

Tempestades que parecem intermináveis dentro do nosso peito...

Porém, de algum jeito passa...

E a chuva se foi, não durou meia hora. O sol reapareceu ainda mais forte e as janelas foram novamente abertas.

E uma música de Oswaldo Montenegro estava tocando:

 

Estrada Nova (Música: Mongol / Letra: Oswaldo Montenegro)

Eu conheço o medo de ir embora
Não saber o que fazer com a mão
Gritar pro mundo e saber
Que o mundo não presta atenção
Eu conheço o medo de ir embora
Embora não pareça, a dor vai passar
Lembra se puder
Se não der, esqueça
De algum jeito vai passar
O sol já nasceu na estrada nova
E mesmo que eu impeça, ele vai brilhar
Lembra se puder
Se não der esqueça
De algum jeito vai passar
Eu conheço o medo de ir embora
O futuro agarra a sua mão
Será que é o trem que passou
Ou passou quem fica na estação?
Eu conheço o medo de ir embora
E nada que interessa se pode guardar
Lembra se puder
Se não der esqueça
De algum jeito vai passar



Escrito por Alexandre Miranda de Souza às 14h52
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