Atento
Fecho os olhos mantendo-me atento ao que me espera abaixo das pálpebras... Um nada obscuro e tenebroso que nos absorve para o estado do nada visceral... Espero o pleno estado final, o que nos mapea em caminhos diversos para a morte... Mantenho os olhos atentamente fechados, em breve, o sono chega como se nada quisesse...
Escrito por Alexandre Miranda de Souza às 00h20
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Lembro-me das manhãs frias e chuvosas. Sair da cama naqueles dias era uma tarefa que parecia impossível. Em uma destas manhãs, logo depois de me arrastar da cama e parar na sala sem saber como, vi pela janela uma coluna de fumaça preta, que parecia vir da direção da escola onde estudava. No fundo do meu ser desejei que fosse realmente ela e fiquei feliz por isso. Comentei com meu pai e ele me condenou com aquele olhar, sobrancelhas levantadas, frisos na testa e o canto da boca esticado, pronto para me dar uma bronca. Foi uma maldade para o bem, o meu bem estar, não queria ir à aula. Na verdade, era o Pão de Açúcar Jumbo que estava em chamas... Isso aconteceu em meados da década de setenta. Fui à aula naquele dia e em muitos outros também. E hoje, são essas aulas que me sustentam...
Escrito por Alexandre Miranda de Souza às 10h54
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Já que falamos sobre isso, dos telhados que se constróem, dos cachos do amor, do número 11, aproveite e ouça muito Jazz de qualidade, acesse a Rádio Experimental O Emissário: www.oemissario.com.br ou leia o meu outro blog, já que havia perdido a senha deste, fiz outro, Asilo d'alma: http://asilodalma.blogspot.com/
Escrito por Alexandre Miranda de Souza às 15h44
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Depois de um ano e três meses, relembrei a senha perdida deste blog. O que um dia foi motivo de prazer, tornou-se tortura e depois perdeu o sentindo, a vida, a vontade... Mas estou de volta, com projetos novos e a mesma vontade de ver novamente, encontrar...
Depois de muito tempo, Eis que retorno, Instante iluminado, Lição que se aprende sozinho, Ahhh, vontade de rever...
Basta descobrir um bom segredo!!!
Escrito por Alexandre Miranda de Souza às 15h30
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Hey mãe! Eu tenho uma guitarra elétrica Durante muito tempo isso foi tudo que eu queria ter
Mas, hey mãe! Alguma coisa ficou pra trás Antigamente eu sabia exatamente o que fazer
Engenheiros do Hawaii – Terra de Gigantes
Frio em Novembro? 15 Co à noite e 21 Co durante o dia? Resolvi sair de casa. Ando 1.432 passos até chegar ao Minas Shopping, mais precisamente à Leitura, como gostam de dizer os funcionários, Mega Store.
Ando meio “off”, fui comprar placas de isopor para fazer um grande mural de fotografias. Solidão, isso mesmo. Pedi a moça que me atendeu com muita educação, que me mostrasse o tamanho da placa de isopor que tinha na loja. Solícita, mostrou-me e perguntou para quê? Sabendo o motivo e que eu levaria duas, perguntou, “não vai ficar grande não?”. Mas a intenção é exatamente essa!
Voltei pra casa. Não contei os passos, seria o cúmulo da neurose. Mas sozinho no meu apartamento, coloquei na vitrola o cd acústico da banda (MTV) Engenheiros. É saudade mesmo. Fui até a cozinha e requentei o café que havia feito pela manhã. De praxe esqueci no fogo. Ferveu, lógico. Tomei, queimei a língua e ainda comi de almoço, biscoito maizena da Aymoré. É isso mesmo...
Sentei no chão da sala, onde havia um lindo tapete, mas por não ser auto limpante, está guardado, junto com outros da mesma espécie. Espalhei as fotos que tenho e fui selecionando as que representariam minha vida em blocos. Adolescência, época de solteiro, viagens de moto, passeios, Exército, filhos, etc. Deixei um espaço para os eventos interessantes que participei. Um espaço para a minha coleção de fotos das minhas ex-motos, um espaço para os meus ex-cachorros de estimação, que jazem no céu e um espaço em branco mesmo.
Tudo pronto. Há emoção em cada pedacinho do painel. Há história ali. Afastei-me para vislumbrá-lo de longe. Não resisti, chorei diante da minha vida exposta, altar singelo e sagrado, dobre os joelhos diante dele...
Escrito por Alexandre Miranda de Souza às 14h58
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I See The World - Old I See The World - Dead
Victims Of War, Seeking Some Salvation Last Wish, Fatality I’ve No Land, I'm From Nowhere Ashes To Ashes, Dust To Dust
Arise – Sepultura
Domingo, dez horas da manhã. Enquanto lá embaixo, (moro no 11º. andar) inicia-se a missa com a congregação cantando músicas suaves e bem entoadas, coloco na vitrola (cd player) uma bolacha (vinil/cd) do Sepultura. O álbum é Arise (1991), um dos melhores da banda.
Abro a gaveta da vitrola, coloco a bolacha e aperto o botão de recuo. Espero carregar, ainda ouvindo os sons celestiais da missa. Play!!! Domingo frio e cinzento. Estou sozinho em casa. Ahhh, volume no máximo.
“Obscured By The Sun, Apocalyptic Clash, Cities Fall In Ruin, Why Must We Die?”
As caixas com alto-falantes de 10’ tremem sob o imperativo peso dos instrumentos. O ambiente é tomado pelo som, os quadros se mexem, objetos sobre a mesa começam a se arrastar, a onda sonora contamina tudo. (Minha árvore de Natal quase cai).
“Confused Leaders Behind Our Backs, Stifling Our Ideas, Misunderstand Signs Of Progress, Minds Of Time Regress, Searching For An Answer, To Understand Myself”.
Um momento permitido para transgressões de comportamento em meio a regras de condomínio e de religião. Apesar de que as letras do Sepultura são mais políticas do que qualquer outra coisa. E em muitos momentos, fica evidente a consciência política, não só nacional, como internacional.
Quando ainda no começo de carreira, sem ao menos saberem do estrondo que fariam no mundo da música, eu pude acompanhar muitos ensaios do Sepultura. Nesta época, eu tinha uma pequena e péssima banda de Heavy e ficávamos entre os ensaios do Overdose e do Sepultura. Eu acreditava que o Overdose faria o maior sucesso e que o Sepultura estaria fadado ao fracasso. Ainda bem que eu estava errado, como a minha banda.
Boas lembranças. Acreditem ou não, eu fugia de casa, às vezes pulava a varanda da sacada do meu quarto apenas para acompanhar os ensaios das duas bandas. Época boa, não volta mais, como muitas outras coisas...

Escrito por Alexandre Miranda de Souza às 12h34
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Uma maior solidão Lentamente se aproxima Do meu triste coração.
Enevoa-se-me o ser Como um olhar a cegar, A cegar, a escurecer.
Jazo-me sem nexo, ou fim... Tanto nada quis de nada, Que hoje nada o quer de mim.
Fernando Pessoa
(Uma maior solidão, 1931)
"A solidão é a mãe da sabedoria".
L. Stern
Estar só é a condição original de todo o ser humano (Martin Heidegger 1889-1976). Será a solidão o preço da busca pela própria liberdade? Não seria contraditório deixar-se só, libertando-se e ao mesmo tempo permanecer buscando o amparo e a segurança no outro?
Estamos sós e ao mesmo tempo acompanhados. Ao deitar-me, quando minha cama de casal torna-se território vasto e longínquo, estico-me fisicamente, movimento quase terapêutico, na tentativa de esbarrar-me em alguém. Não há nada, como a rosa dos ventos, bússola que nada marca além do norte, em minha volta. Travesseiros, edredons e vazios...
A luz se apaga ao comando meu, estou na presença de mim mesmo, consciente de que estamos sós no mundo, mundo de morte e de vida, mundo de escolhas, ganhos e perdas. Morre o desejo, morre a existência da “coisa”, morre a vontade, morre o projeto. Dual, complexo, vital... nasce outra vontade, outro projeto, outro desejo... complexo destino, porém, tudo morre.
Estou só no território noturno, a primeira companhia é minha própria existência. Estendo os braços, toco a mim mesmo, não consigo tirar os olhos do meu próprio ser. Temos de vencer a primeira solidão, aquela que experimentamos conosco, da qual não há fuga... sua presença é imperativa e nos mostra toda nossa vida e mesmo que a fuga pareça ser a melhor forma de enfrentamento, precisamos evitá-la (não há para onde fugir).
Li outro dia, não me recordo onde e também não sei o autor, que a morte é apenas um “entrar” na solidão, uma vez que ela (morte) é um sentimento pessoal e intransferível. A lógica é que não vivemos a solidão do outro e muito menos a morte do nosso semelhante, estes são sentimentos individualizados. E é nesse sentindo, que não compreendo a sua solidão, a sua liberdade ou o seu estado de euforia ou sua satisfação de estar com os outros. É nesse sentindo, que sua liberdade se torna a minha solidão e sua satisfação, a minha incompreensão.
Respeito, sem entender, mas também sem o esforço da compreensão, pois este poderia levar-me a apreender um significado que poderia não representar o seu sentimento, de forma que, o único sentimento que posso ter é o mitológico e bíblico destino de Adão (aqui neste exemplo, sem Eva), ser expulso do paraíso, mas com a maior das punições, não se esquecer do que já teve um dia e ainda, amargar um sentimento de saudade e solidão, daquilo que acreditou possuir. Adão permanece como indigente, à porta do paraíso, a esmolar caridade e compreensão dos querubins que ali estão para impedi-lo de adentrar o seu próprio “ser”, seu éden perdido.
Escrito por Alexandre Miranda de Souza às 13h32
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Contra qualquer forma de discriminação
“promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”.
(inciso IV, do artigo 3º, da Constituição Federal)
Digo que entre a hipocrisia e o “politicamente correto” há apenas uma tênue linha que pode se romper sem mesmo que o seu praticante perceba. E nesse momento, perde-se a compostura, outra forja da sociedade, para que possamos viver socialmente.
Mas espere apenas um momento, todos nós vivemos na fronteira destas práticas e por muitas vezes, essa linha que nos separa da hipocrisia se rompe, é verdade, mas o esforço de superação, deve ser efetivado e não o contrário.
Tenho percebido que muitas pessoas têm sentindo orgulho em assumir seu preconceito, sua discriminação, como forma de auto-afirmação social. Contudo, se esquecem de que, se há uma forja social, uma criação dogmática para que possamos viver socialmente, essa deve ser preservada e praticada, justamente pelo seu cumprimento e pelo dever de vencermos exatamente a hipocrisia que se estabelece. Dizer que se tem discriminação pelo outro (diferente) e de certa forma se orgulhar de sua postura é muito diferente de se ter consciência de seu preconceito e lutar para vencê-lo, encarando o outro (diferente) como um ser humano igual em todos os sentidos.
Há uma comunidade no Orkut (Chega de preconceito) que luta pela justiça e pela igualdade de todos. Nela há uma denúncia de preconceito que se encaixa no que escrevi acima. Entre a hipocrisia e o “politicamente correto” há apenas uma tênue linha. Abaixo irei transcrever a fala da Deputada Juíza Denise Frossard, candidata ao cargo de Governadora do Rio de Janeiro e relatora do projeto sub examen, que pretende dar nova redação ao artigo 1º, da lei nº 7.716/1989, que define os crimes resultantes de preconceito e discriminação. A juíza votou pela rejeição do projeto de lei nº 5.448 de 2001. Leia abaixo:
A repulsa à doença é instintiva no ser humano. Poucas pessoas sentem prazer em apertar a mão de uma pessoa portadora de lepra ou de AIDS. Algumas dessas poucas pessoas fazem-no sinceramente, outras, hipocritamente. De um modo geral, as pessoas não se sentem confortáveis na companhia de pessoas doentes, ainda mais, quando se trata de doença letal ou deformadora. A discriminação é válida quando se trata de doença contagiosa ou de epidemia que coloca em risco a vida e a saúde da comunidade. A deformidade física fere o senso estético do ser humano. A exposição em público de chagas e aleijões produz asco no espírito dos outros, uma rejeição natural ao que é disforme e repugnante, ainda que o suporte seja uma criatura humana. Portadores de doenças e deformidades costumam freqüentar locais públicos exibindo as partes afetadas do corpo, não só com o intuito de provocar comiseração, como também, com o propósito de afrontar a sensibilidade dos outros para o que é normal, saudável e simétrico.
Pensem bem, ninguém é obrigado a concordar com nada, mas temos o dever social e democrático de respeitar o outro. Ora, se você está investido de um poder dado pelo voto direto da população, e neste cargo, você deve defender as minorias, então, esse tipo de discurso apresentado pela deputada, é desrespeitoso e fere o próprio projeto de lei. Não é à toa que ela é contra, quer a permissão para continuar a divulgar e disseminar seu preconceito.
Ps.: Preste bem atenção na frase final do parágrafo escrito pela deputada: “afrontar a sensibilidade dos outros para o que é normal, saudável e simétrico”.
Escrito por Alexandre Miranda de Souza às 11h26
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“Qué fácil decir: te quiero cuando estamos solos, lo difícil es hacerlo cuando escuchan todos si tú me miras, si tú me miras te enseñaré a decir te quiero, sin hablar, mientras tengamos un secreto que ocultar”
Si Tú Me Miras
Alejandro Sanz
O silêncio pode dizer mais que mil palavras.
O olhar fala mais que mil livros.
A atitude estabelece a rotina dos dias cotidianos.
A distância faz a metragem da saudade.
A saudade estabelece a querência dos desejos.
O som estridente do pulsar no peito impõe o frenesi que desarruma a ordem.
A ordem não mais se diz sóbria.
A sanidade deixou de ser eloqüência.
A eloqüência não mais quer ser.
O ser é humano.
A máquina é fria.
Quero o beijo e o abraço que enlaça.
Quero o desejo e o laço que abraça.
Deixo a chave do cadeado debaixo do tapete da porta de entrada...
Escrito por Alexandre Miranda de Souza às 17h49
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“Nas portas de minha alma
outra vez estão batendo (...)
Abri-las, sei que não devo. Mas trancá-las não consigo
A quem bate minhas portas, entreabro meu postigo.
Nas portas de minha alma quero instalar um cadeado.”
(Jaime Vaz Brasil)
Há em mim tantas portas
Que me levam por inúmeros caminhos
Portas que se abrem
Portas que se fecham
Quando se abrem, um novo caminho se adentra em mim
Quando se fecham, para trás pedaços d’alma se dilaceram
Fora do meu corpo há apenas um grande átrio
Espaço vazio
Que não se preenche
Não se acerta
Não se encaixa
Não se percebe
Mas há em mim tantas portas
Que trazem consigo chaves e trancas
“Nas portas de minha alma quero instalar um cadeado.”
Escrito por Alexandre Miranda de Souza às 13h04
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“(...)Porque o ônibus para
mas a vida não (...), estou como
quando jovem, a inteligência
muito ignorante”. (Adélia Prado)
“When there's no love in town This new century keeps bringing you down All the places you have been Trying to find a love supreme A love supreme” (Supreme/Robbie Williams)
“I’m loving angels instead” (Angels/ Robbie Williams)
A vida é um eterno morrer e nascer. Lutamos contra o tempo para que tenhamos o mínimo de conhecimento sobre as coisas, mas sempre ficará a sensação de que algo ficou para trás, ou esquecido em meio a tantas vontades de lembranças. Cabelos a esbranquecer, olhar entristecido, marcas de sofrimento pelo rosto, a vida não para...
O que é o momento? O pleno ou o incompleto? Não teremos respostas do mesmo prisma, meu olhar subjuga o seu e vice-versa. Vou continuar na filosofia enquanto você acha uma razão “razoável” para me ralhar. Meu coração enternecido acaba por render-se ao seu amor. Seu amor acaba por render-se à sua teimosia. Mas infinitamente contraditório, os pólos se modificam, ora positivo, ora negativo. Rendemos à sua teimosia, como também ao seu amor intenso.
A vida é uma questão de escolha. Simples assim? Talvez não, mas necessariamente simples. As opções estão na mesa. Outras irão surgir com o passar do tempo. Novas se descobrirão encobertas por nossos próprios olhos. Mas estão todas sobre a mesa. Escolha a sua.
Mas não se apresse em escolher but, “I got too much life running through my veins, going to waste. I don’t want to die, but I ain’t keep on living either before I fall in love. There’s a hole in my soul, you can see it in my face”.
Ainda quero discutir sobre a liberdade.
***

Ganhei um presente inusitado. Uma aluna da 6ª série me deu o cd “O Tom de Adélia Prado”, poemas do livro Oráculos de Maio, narrados pela autora e trilha sonora de Mauro Rodrigues. Confesso que não acreditei quando ela tirou aquele cd da mochila. Eu estava vendo a foto de Adélia Prado na capa do cd?! Fiquei tão alegre que “não sei”... Dei um abraço nela, porque não tinha palavras... coisas tão simples nos comovem...
Escrito por Alexandre Miranda de Souza às 15h21
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“A vida corre
nas pernas do tempo,
E o tempo...
Tem asas de vento.
O vento... o vento
corta a alma rasgada
pelo desencanto”.
(Olga Silveira)
"Compreende-se que a perfeição não pode deixar de ser determinística, no sentido de que só o melhor absoluto pode ocorrer. Tal é o sistema incorrupto dos espíritos que não erraram e não caíram. Pode, pois, deste ponto de vista, parecer mesmo que o arbítrio humano, além de ser um resíduo da liberdade originária, seja um produto da queda, visto que a escolha significa uma incerteza e uma procura do melhor absoluto, que se perdeu e ainda não foi reconquistado. (Pietro Ubaldi – Livro: Deus e Universo)"
O que é perfeito para você?
Será que a perfeição está no melhor absoluto, ou na busca de um sistema incorrupto? Será o arbítrio humano uma falha da possível queda, a incerteza da busca pelo melhor absoluto?
O que é perfeição para você?
Nesse mundo cruel (protótipo da nossa incompreensão), buscar a perfeição pode parecer uma fuga do que incomoda nosso próprio “eu”, do que não está enquadrado em nossos padrões de expectativa. Vivemos em pequenas fugas cotidianas, empurramos dilemas todos os dias para um “mais tarde” que nunca chega e por isso, perdemos de vista pequenas coisas, às vezes banais, mas que nos fazem felizes. Portanto, nos fazem felizes ao lado do outro, esse individuo que nos é tão diferente e ao mesmo tempo tão semelhante, em desejos e expectativas.
Ontem estive rodando pelo centro da cidade e observei as coisas e as pessoas com olhos que há muito tempo não os tinha. E me fiz essa pergunta: o que é perfeito para mim? Resolvi então enumerar minhas pequenas felicidades, ou melhor, coisas que às vezes não percebemos, mas que nos trazem o encantamento.
Um abraço carinhoso, despretensioso, não importando se quem recebe é do mesmo ou do sexo oposto. Um aperto firme de mão. Uma conversa descontraía, mas mirada nos olhos. Café com licor amarula e uma boa conversa com um grande amigo. Delicadeza nos gestos. Sensualidade nas idéias. Carinho nas mãos. O cheiro do outro. O sorriso do encontro, depois da saudade doída. A voz ao telefone. Sentar na escada esperando o ônibus. Rodar a praça esperando que um banco fique vazio para admirar as fontes. Acompanhar até a porta. Simplesmente ouvir. Tocar os cabelos. Sentir o calor do corpo. Andar simplesmente acompanhando. Rir da risada do outro. Não preocupar com horários. Não fazer nada em companhia de um amor ou de um amigo. Comentar sobre um bom livro. Elogiar o outro. Cumprimentar a todos. Desejar o reencontro. Dizer sempre que gosta ou acha algo lindo naquela pessoa especial.
Eu poderia ficar aqui descrevendo incontáveis singelezas ou simplicidades, mas acho melhor deixar você buscar as suas... de preferência em boa companhia.
***
O que seria do coração se não existissem as flechas do cupido?
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Hoje em uma reunião com uma mãe de aluno, acabei pegando uma criança de colo em meus braços, pois a mãe estava muito exaltada por causa dos problemas do outro filho, o motivo da reunião. O bebê ficou tranqüilo em meu colo, fui matando a saudade dos meus tempos de pai (de filho daquela idade) ele foi se ajeitando em meu colo até dormir. Ficava olhando em meus olhos enquanto fechavam de sono... acabou dormindo... e eu fiquei com aquela criança nos braços, por quase toda a reunião... isso foi uma pequena felicidade...
Escrito por Alexandre Miranda de Souza às 15h52
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“La noche no quiere venir
para que tu no vengas,
ni yo pueda ir.”
Existem inúmeras formas de se comunicar, ou se fazer contato. A modernidade nos disponibilizou ferramentas múltiplas e em tempo real. Pessoalmente, o contato físico é intenso, mas quando a distância é balizada pela tecnologia, parece-me que se esquece do que costumamos nos expressar: “Cheek to Cheek”. Talvez seja o desequilíbrio do ethos de Aristóteles, ora o excesso, ora a falta, grandiosa é a eqüidistância entre os extremos, o meio termo é a coragem. Aristóteles supõe haver sabedoria nessa situação intermediária.
Não reclamo mais da distância, mas sim da falta de equilíbrio entre os extremos. Não reclamo mais das opções, menos das “querências”, mais da falta de notícia. Não é possível quatro dias sem contato tecnológico, sem notícias cotidianas, sem noção do que acontece do outro lado, excluído de repente da vida do outro. Como se incluir novamente?
Como eu disse anteriormente, a modernidade disponibilizou ferramentas múltiplas e em tempo real. E-mail, MSN, orkut, celular, torpedo, Internet, etc... Uma notícia não faria mal, talvez até melhor do que se imagina. Sinto-me excluído deliberadamente, um “ser” descartável, não há o merecimento de uma notícia, não há preocupação de uma justificativa.
De onde estou, do meu ponto de vista, fico sempre na dúvida. Será que algo aconteceu? Alguma doença, algum ressentimento, algum mal entendido, alguma tragédia, algum nada mais? Uma mensagem dizendo, “vou sumir por alguns dias, não se preocupe”, assim a dor seria apenas da saudade e não da dúvida, afinal, pessoalmente, o contato físico é intenso e não se justifica ser diferente na tecnologia.
Talvez eu faça a mesma coisa, mas se eu sumir por mais de três dias, por favor, avisem a minha mãe...
Escrito por Alexandre Miranda de Souza às 01h20
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"Quiero dormir un rato, un rato, un minuto, un siglo; pero que todos sepan que no he muerto; que hay un establo de oro en mis labios; que soy el pequeño amigo del viento Oeste; que soy la sombra inmensa de mis lágrimas." (Lorca)
Eu não havia entendido de imediato quando você disse que eu não existia, que eu era apenas um sonho. Agora vejo com mais clareza, não existimos em nós mesmos e não somos capazes de nos enxergar como integrados ao universo que nos rodeia. Temos de nos acostumar à não existência, ao não ser e ao não estar. Estou me diluindo na dimensão do continuum, em cada dia, que é dividido pelas horas, que se divide em minutos, e na conseqüência dos segundos...
Meu ser se multiplica em semanas, meses, anos, décadas, séculos e milênios...
Escrito por Alexandre Miranda de Souza às 14h54
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“Una ausencia de bosques, biombos y entrecejos
yerra por los tejados de las casas antiguas”.
(Lorca)
Não suporto este sol que invade minha janela. A poeira se acumula nos cantos da casa. O fonógrafo desliza vagarosamente sua agulha pelos sulcos do acetato. A modernidade está ao lado, ou melhor, foi deixada de lado. Deixemos de lado as coisas, ou melhor, deixemos para trás as coisas, esquecemo-las como é necessário ser...
Vagarosamente requer treinamento. Exercício de paciência. Requer a exaustão do estado “meta-mental”, ignorado por todos nós. Em algum momento de nossas vidas (nossas, no sentindo singular, de vidas que vivemos enquanto indivíduo), devemos nos “despejar” aos pés sagrados da alma “crística”, exatamente naquele instante em que nada cremos e nada mais nos dá suporte.
O mordente sol não auxilia minha procura. Na janela tudo se perde. Na poeira os cantos se enchem. O fonógrafo toca minha vida em preto e branco, como os fios que preenchem meu rosto, escondendo a compunção que me angustia. Exatamente não é velocidade. A alma vaga entrelinhas que o tempo permite em fendas de contração e polígonos escalonados.
A ausência não é sábia, mas a sabedoria não está na presença, não consiste em conjugar o verbo estar, decerto, não está no verbo ser. Não há dúvidas, a certeza não integra o vazio que não se encaixa. Se o silêncio é fala tão eloqüente, porque então da prática da mentira? Porque tudo passa tão rápido e continuamos a brincar de “moto-contínuo” como se vivêssemos em pequenas eternidades?
Não existem mentiras, apenas verdades modificadas, como não existe nada em estado absoluto. Mas também não existem verdades, apenas ficção idealizada, como não existe nada em estado abstrato.
Meu ser aprendeu a tocar o intangível, a sentir o que o silêncio teima em contar, os segredos da alma que apenas sentimos. Meu ser decifra códigos etéreos. Não preciso mais ler palavras, nem pingos dizem tanto quanto o que se quer pensar intangível. Pensas que não sei? Chronos não me permite mais governar o tempo, ao contrário, com sua foice, faz pequenas marcas em meu rosto, como forma de compensação, permite-me sentir o universo em trespasse, das almas que se conjugam em mim.
Ignora-se que mais cedo ou mais tarde o tempo nos atropela. Substância em si mesma, incorpórea e serpentina, conjuga-se com a inevitabilidade, ainda assim, é melhor a ignorância do que o saber ou o sentir as coisas.
Há em mim um todo, e este todo está se desintegrando...
Como dizia Guimarães, realmente as pessoas, e as coisas não são de verdade!!!
Escrito por Alexandre Miranda de Souza às 14h22
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BRASIL, Sudeste, BELO HORIZONTE, Homem, de 36 a 45 anos, Os posts são como fotografias...refletem apenas um momento...
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